Na Beira do Rio

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poesia

Enio Ferreira
Whisner Fraga
Luciano Vilela Teodoro
Edgar Franco
Edson Muniz
Eliane Gouveia
Regina Marques Almeida
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Enio Ferreira

Na beira do rio

Na beira do rio,
coaxam os sapos,
a lavadeira canta,
lavando os trapos.

Na beira do rio
o Sol espera
para secar os panos
que ela esfrega.

Na beira do rio,
0s peixes dão pulos pro ar,
A lavadeira se banha nua,
esperando a roupa enxugar.

Da beira do rio,
a lavadeira se foi e, quando voltar,
essas águas estarão muito longe,
mortas no mar.

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Whisner Fraga

Os abismos do ventre

Carpir a maturidade da enxada
Aplainar a terrosa mantilha da descrença
O terreno em que sulcam raízes
e o esterco emudece
Velar o consenso das folhas
O hálito rejuvenescido do espanto
Compor a anatomia do cáustico
As cláusulas na carne
Adiar o estribilho das foices
As fomes incisivas da lâmina
E a seiva escondida nas impossibilidades.

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Luciano Vilela Teodoro

Um balzaquiano de meia idade

Essas minhas escamas profanas
Em que o Sol se derrama
E a decrepitude de minha cabeleira
Que não deixar raiz.
Esse meu coração solitário
que antes fora solidário.
Meu corpo dobreado
Que cai igual estrela cadente
diante do espelho.
São os ossos do ofício
Oficio esse chamado de vida!

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Edgar Franco

Alas para os que ouvem cigarras

As cigarras voltaram com seus canto tântrico

Não as de outrora
mas uma nova geração

Seguem incessantes os ciclos

Quase ninguém pode contemplá-las
em sua magnífica ode à finitude,
aprisionadas na angústia e futilidade de serem humanos,
amarrados ao seu tempo e ao receptáculo carne.

As cigarras cantam no descompasso do caos...

Já criaram alas para os que fumam cigarros.
Sonho com alas para os que ouvem cigarras.

Ouço a minha vida avançando
pelos becos,
recitando silêncios
contra sinfonia das cigarras.

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Edson Muniz

Nos meus tempos de criança tinha paz, amor e esperança,
minha casa era um doce lar.
Mas o tempo foi passando, minha vida se transformando,
e hoje eu vivo a recordar.

Lembro a casa à beira do rio, onde, nas manhãs de frio,
me aquecia junto ao fogão.
e aquela sagrada alegria, que em nossa casa existia,
ainda guardo em meu coração.

O rio, amigo traiçoeiro, quantas vezes foi meu companheiro,
outras tantas quase me matou.
Lembro o rio beijando a areia, hoje nela a saudade vagueia,
sinto saudade do que passou.

Certo dia, numa brincadeira, eu caí na corredeira,
tão pequeno, sem saber nadar.
Meu cachorro, fiel e amigo, sem ter medo do perigo,
saltou no rio para mim salvar.

Em sonhos vejo a gameleira, onde outrora tão ligeira
balançava uma gangorra ao vento.
E a balsa pioneira, que meu pai fez de madeira,
já ficou esquecida no tempo.

O tempo que a tudo apaga, deixa apenas uma lembrança vaga,
do lugar onde eu morava.
Se eu pudesse voltar o tempo, não hisitava um só momento,
eu juro prá lá eu voltava.

Se eu pudesse voltar o tempo, praquele recanto eu voltava.
Se eu pudesse voltar o tempo, pra minha infância eu voltava.

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Eliane Gouveia

Espera

Ela vigiou a curva da estrada o dia todo,
mas eles não vieram
e ela se entristeceu.
Mas não doeu,
pois eles eles não vieram porque não quiseram
ou porque não deu.
O que a fazia sofrer era saber
que alguem que jamais faltava naquele dia,
nunca mais viria
porque já morreu.
Isso sim,
doeu,
doeu,
doeu...

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